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IV CONGRESSO INTERNACIONAL DE CUSTOS E II CONGRESSO BRASILEIRO DE GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS
Durante o período de 16 a 20 de outubro de 1995 realizou-se no Centro de Convenções da Universidade Estadual de Campinas o IV Congresso Internacional de Custos e II Congresso Brasileiro de Gestão Estratégica de Custos. Ambos congressos foram organizados pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas e pelo Departamento de Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo. O evento contou com o apoio do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade (PBQP), do Instituto Internacional de Custos, da Associação Brasileira de Custos, do Programa de Mestrado em Contabilidade da Universidade de São Paulo e do Programa de Mestrado em Qualidade da Universidade Estadual de Campinas. Contribuíram com a divulgação dos congressos a Asociación Espa¤ola de Contabilidad Directiva (ACODI), o Instituto Argentino de Profesores Universitários de Costos (IAPUCO) e o Centro de Estudos Superiores de Contabilidade de Minas Gerais.
O Congresso contou com a participação de 328 pessoas, das quais 84 foram provenientes do exterior e 244 do Brasil. Do total de participantes, 214 foram provenientes de universidades (135 do Brasil e 79 do exterior). Os demais congressistas (num total de 114) desenvolvem suas atividades em empresas privadas, públicas e órgãos governamentais Foram apresentados 80 trabalhos científicos, ministradas 12 conferencias acadêmicas e 11 conferencias tratando de casos de gestão de custos em empresas. Foi apresentado um painel com conferências e debates sobre a gestão de custos nas universidades. Os trabalhos foram publicados em dois volumes totalizando 1256 paginas.
Antecedentes
Em setembro de 1993 foi realizado em Madrid, Espanha o III Congreso Internacional de Costos. O congresso foi organizado pela Universidad Automa de Madrid, a Universidad Carlos III de Madrid, a Universidad Alcala de Henares, a Universidad Complutense de Madrid e a Universidad Nacional de Educación a Distancia. Contou ainda com o apoio do Instituto de Contabilidad y Auditoria de Cuentas de Espa¤a, do Instituto Internacional de Costos, da Asociación Espa¤ola de Contabilidad Directiva e do Instituto Argentino de Profesores Universitarios de Costos.
O congresso de Madrid contou com a presença de 450 participantes de 85 universidades do mundo.. O Professor Charles Horngren (Universidade de Stanford - EEUU) proferiu a palestra inaugural do congresso de Madrid, sendo seguido pelas conferências dos professores Moisés Garcia (Universidad Autónoma de Madrid), Michel Lebas (HEC Schooll of Management - França) e Oscar Osorio (Universidad de Buenos Aires - Argentina). Durante o congresso foram debatidos 155 trabalhos científicos. Como fruto do congresso foi publicado o livro "Contabilidad de la Empresa y Sistemas de Información para la Gestión", Edición Instituto de Contabilidad y Auditoría de Cuentas, Ministerio de Economía y Hacienda, Espa¤a, contendo relação das conferências e comunicações.
Ao término do congresso de Madrid, o Instituto Internacional de Custos, entidade que congrega docentes de Custos de diversos países, aprovou proposta apresentada pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas e o Departamento de Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo para sediar o próximo congresso no Brasil.
Relevância e Justificativa do Evento
As intensas mudanças no macroambiente das empresas brasileiras, fruto da globalização da produção e do aumento da concorrência intercapitalista tornaram claro o esgotamento do modelo de desenvolvimento industrial praticado no Brasil até finais da década dos oitenta.
Este modelo, intensamente enraizado no país fundava-se, pelo lado da gestão empresarial, numa visão de organizações auto- suficientes e auto-centradas, que transferiam de forma quase automática alterações nos custos a preços e que tinham capacidade de regular - dentro de limites amplos - suas margens de lucro. Um exemplo concreto desse enraizamento é a atuação do extinto Conselho Interministerial de Preços (CIP) que regulava as alterações de preços de maior parte dos setores oligopolizados no país dentro da equação Custo+Lucro=Preço.
A ampliação do nível de competitividade ao qual estão sujeitas as empresas no país, fruto por um lado, do acirramento da concorrência intercapitalista, e por outro dos programas de abertura comercial, queda de barreiras tarifárias e não tarifárias, desregulamentação e privatização tornou clara a necessidade de alteração profunda dos modelos de gestão empresarial até então aceitos. Conceitos tais como qualidade, produtividade, flexibilidade, parcerias, e concorrência baseada no tempo e na informação incorporaram-se às questões do dia a dia dos diretores e gerentes de empresas. A importância da focalização no cliente, como base de um sucesso que é condicionado, por outro lado, pela constelação de forças competitivas, mostrou a necessidade de mudar o sentido da equação anterior: partindo de um preço, para atingir determinada participação de mercado e um lucro desejado deve-se obter por dedução um custo-meta a ser atingido.
O aumento da incerteza no âmbito em que devem ser tomadas as decisões leva necessariamente a uma revisão das estratégias, no sentido de obter custos totais mais baixos, flexibilidade e qualidade ao longo da cadeia produtiva. Nesse processo ênfase especial é atribuída à busca e solidificação de novas formas de articulação entre empresas, em especial entre as pequenas e as grandes.
A gestão é o centro articulador de decisões sobre mercados, capital, organização do trabalho, tecnologia e postura concorrencial. A gestão abrange desde a visão do futuro da empresa, que é refletida no planejamento estratégico até as decisões operacionais. O processo de incorporação plena (e não aparente) e difusão dos novos conceitos gerências (qualidade, produtividade, etc) depende de sua articulação com os conhecimentos e habilidades de gestão incorporados nas rotinas e padrões decisórios existentes nas empresas.
Os sistemas de informação gerencial, particularmente os que se referem a custos (ex-ante ou ex-post) tanto dos produtos como da empresa, mantêm elevada interface com a avaliação de alternativas a partir das quais são decididos aspectos que comprometem o nível futuro de investimento, capacidade, qualidade e produtividade, entre outros aspectos.
Segundo contribuições teóricas recentes, os métodos tradicionais de gerenciamento e avaliação de custos apresentam sensíveis falhas quando utilizados para avaliar medidas não financeiras como qualidade, flexibilidade, satisfação do cliente e podem levar a decisões equivocadas tanto no referente à avaliação dos benefícios da incorporação de investimentos de tecnologia avançada dentro das empresas, como no tocante ao estudo do desenvolvimento de formas inovadoras de articulação entre empresas comprometendo assim os níveis futuros de produtividade, competitividade e participação no mercado. de sistemas de informações para a gestão econômica das empresas, que ainda vêm no lucro sua melhor medida de eficácia.
A avaliação da compatibilidade dos sistemas tradicionais de gestão de custos, com a demanda dos novos referenciais de competitividade e a discussão e avaliação de novos métodos, mais adequados aos novos conceitos gerências, mostra-se oportuna e extremamente necessária para estabelecer níveis mais elevados, para o aprimoramento da competitividade empresarial.
Todavia, além das novas visões de gerenciamento e avaliação de custos, propõe-se a discussão também sobre o desenvolvimento de sistemas de informação para a gestão econômica das empresas, que ainda vêm no lucro sua melhor medida de eficácia.
Bibliografia
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